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Peripécias de uma Família Atleticana em um Sábado à Noite

  • Foto do escritor: Gustavo Guimarães
    Gustavo Guimarães
  • 11 de ago.
  • 14 min de leitura



O final da noite de sábado é feito para ser constituído de momentos agradáveis, principalmente, em casa, com a família, ou mesmo em bares e restaurantes, com os amigos. Há quem prefira um cinema ou um show de um grande artista ou de uma banda famosa. Há ainda quem ache mais interessante... uma partida de futebol! Literalmente, tem gosto para tudo. Aqueles que têm um coração capaz de topar qualquer parada vão assistir a uma partida de futebol... do Atlético, o Galo de Minas Gerais. Vai entender... Realmente, tem gosto e masoquismo para tudo. Tudo mesmo!

 

Quando esse passeio, em pleno sábado à noite, é feito em família, aí sim é um caso a ser submetido a estudos psiquiátricos: sair com a família para assistir a um jogo do Atlético, sábado à noite, na Arena MRV, só pode ser coisa de maluco. Pois foi isso que João, Carla e Júnior fizeram naquele primeiro de agosto de 2026. Foram assistir ao jogo entre Atlético e Juventude, válido pela Copa do Brasil, oitavas de final, jogo de ida. O que a torcida esperava era que o Galo decidisse a vaga já naquele primeiro jogo. Ela só se esqueceu de combinar com o Juventude.

 

De qualquer forma, a noite estava muito agradável. O céu estava azul, soprava um vento delicioso, não fazia frio. Era o suficiente para que os torcedores pulassem um pouco mais ou se abraçassem aos seus colegas de arquibancada. O que aconteceria no gramado poderia não importar muito... quer dizer... não exageremos. Para o atleticano, somente a vitória interessa. Sempre.

 

E a partida estava sendo um atrativo para muita gente. Até o meio daquele dia foram vendidos mais de 30 mil ingressos. No final, foi adquirido pouco mais de 37 mil. Aí incluída a meia dúzia de gatos pingados que representavam o Juventude naquela oportunidade. Essa presença maciça da torcida atleticana, certamente, era resultado da vitória do Galo sobre o Palmeiras, em plena casa alviverde.

 

Quando caminhava pela esplanada da Arena MRV, a família João, Carla e Júnior, também conhecida como os Silva, foi abordada por Thiago Reis, repórter da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte que tem o bordão “seu nome, seu bairro”. Qual o resultado da partida de hoje? O Galo elimina o Juventude no primeiro jogo? A gente sempre costuma ter dificuldades contra esses times; acho que vai ser 1 x 0 para nós. Carla, intimidada pelo microfone, preferiu não dizer nada. Ainda não havia bebido nada... Houve divergência apenas em relação ao resultado: Júnior disse 4 x 0. Coitado... está novo ainda. Não conhece muito sobre essa história do Galo.

 

No meio da torcida do Juventude, que veio de ônibus de Caxias do Sul a Belo Horizonte, a esperança também estava forte. Vamos levar para casa, pelo menos o empate. Esse time do Galo não está com essa força toda. Se bobear, vamos levar a vitória. Nosso time não tem medo de ninguém.

 

Uma hora antes do início da partida, pelas redes sociais, o Atlético divulgou os onze iniciais. Um dos jogadores escolhidos para titular chamou a atenção de João. como esse treinador escala o Dudu para começar jogando?! O Cuello vai ser banco para o Dudu? Será que o Barba não entende nada de futebol?! Ele arrebentou com o Galo. De repente, ele treinou bem durante a semana... E ele treina bem? Tem um tempão que o Dudu não faz nada! O Barba tá de brincadeira. Com o Dudu, a gente não vai ganhar nem purrinha!

 

Além do Dudu, o Atlético entrou com o melhor goleiro do Brasil, Everson; a defesa composta por Natanael, Lyanco, Juan Tressoldi, Renan Lodi; o meio montado com Tomás Perez, Maycon, Victor Hugo; e o ataque com Bernard e Cassierra. No final das contas, o problema desse time acabou sendo mesmo a presença do Dudu. Mas vai entender cabeça de treinador... o fato é que João e Júnior estavam indignados com essa escalação e, antes da partida começar, encontraram mais três torcedores e discutiram a escalação realizada e as possíveis correções.

 

O Juventude era comandado por um treinador que já havia passado por Minas Gerais, como técnico do América. Teve uma passagem muito ruim, ficando manos de três meses no cargo. Maurício Barbieri, treinador da equipe do sul do Brasil, levou a campo o goleiro Jandrei, Gabriel Pinheiro, Titi, Marcos Paulo, Aderlan, Lucas Mineiro, Raí Silva, Patrick Lanza, Fábio Lima, MP e Alisson Safiz. A nossa sorte é que esse time daí não tem ninguém que oferece perigo. Se a gente entrasse com o Dudu contra o Palmeiras ou mesmo contra os Marias, a gente ia tomar é goleada. Ainda bem que esse time daí é uma baba.

 

Quando a bola começou a rolar, a indignação da torcida e, claro, da família Silva, virou susto. É que o primeiro lance do jogo foi do Juventude. João nem teve tempo de vaiar a escalação. Antes da segunda volta do ponteiro, o Juventude parte em ataque rápido e chuta para fora. Júnior perdeu metade do seu pote de pipoca.  

 

O consolo para João e Júnior é que o Atlético não sentiu esse primeiro golpe e resolveu tomar as rédeas da partida. Eu não acredito que o Juventude vai ficar enchendo o saco do Everson. O Barba vai ter que mexer nesse time, nem que seja no posicionamento. E não é que, no lance seguinte, o Galo quase marca em um rápido ataque pela direita? Mas, claro, o chute foi muito ruim. Esse ataque é uma porcaria (não dá para escrever o adjetivo que o João utilizou...)! Né possível!

 

Eu tô achando que esse time aí do Juventude não vai guentar o Galo Doido. Só tá dando Galo. Vai Galo! Se com 7 minutos tá assim, imagina quando os cara cansarem. Vamo golear! Eu amo essa torcida! Vai Galo Doido! O humor do atleticano é tipicamente bipolar. Muda a cada minuto...

 

A gente tá conseguindo roubar as bolas muito fácil. O problema é que os cara não tão comendo feijão. Deve tá faltando dinheiro até para isso na Cidade do Galo. Com menos de 8 minutos já chutou um monte de vez e tudo foi um traquezinho. Mas vai dar certo. O time tá correndo. Voltou outro time depois da Copa. Vai, Galo!

 

Esse goleirinho dos cara deve tá morrendo de medo da gente. Tá demorando demais para soltar a bola. Com 10 minutos já tá fazendo cera. Será que esse juizinho aí tá comprado? Não vai dar cartão, não, seu juiz? Se fosse o Everson, já tinha tomado amarelo.

 

E cadê a Carla? Alguém viu ela por aí? Ah! Tá ali. Já tomou o terceiro copo de cerveja e tá na fila de novo. Ela tá bebendo demais. Vai lá, Júnior, fala com ela para maneirar. Vai dar vexame. Depois eu vou. O jogo tá bom.

 

Tem que caprichar, gente! Tem que caprichar! Tô ficando com medo. Quem não faz, leva. Tá cruzando de qualquer jeito. Olha esse lixo de cruzamento para o Cassierra. Esse cara também tá de brincadeira! Tá fora da posição. Não é ali que fica! Já era pra ter conseguido alguma coisa. Já tamo com 15 minutos! Vai acabar tomando gol. Conheço o Galo. Já foi chamar sua mãe? No intervalo, eu chamo. Ela vai acabar passando mal, dando vexame. Não vou levar ninguém para o hospital.

 

Rapaz... tô ficando preocupado. A gente tá se jogando para o ataque. Vamo acabar tomando um contra-ataque. Os cara tão fechadinhos e vão acabar roubando uma bola. Esse trem vai dar bode (ele usou aquela outra palavra, malcheirosa e começada com “m”).

 

E o jogo ia caminhando muito bem. O Atlético estava bem postado, obrigando o Juventude a se fechar na defesa. A preocupação maior dos Silva era com um possível contra-ataque. Normalmente, quando um time menor enfrenta um maior, eles costumam jogar por um uma bola. E o Atlético, àquela altura, já estava começando a dar sinais de que poderia tomar um gol em alguma roubada de bola por parte do Juventude.

 

Até que, finalmente, um chute que merece esse nome. E foi o Bernard que fez isso, aos 21 minutos do primeiro tempo. Para a família Silva, o Galo estava dando sinais de que marcaria a qualquer momento. Mas, como todo o mundo sabe, Galo é Galo.

 

E o jogo vai caminhando da mesma forma. O Juventude partindo em contra-ataques e o Atlético buscando o gol a todo o tempo. Porém, à medida em que a partida ia acontecendo, o Juventude começava a gostar do jogo. Tudo transcorria na mais perfeita calma, até que Lucas Mineiro, aos 21 minutos do primeiro tempo, faz uma falta e recebe o primeiro cartão amarelo do jogo.

 

Cara! Esse jogo tá começando a ficar chatinho! Não tá acontecendo nada. A gente não vai pra cima. Bora, Galo! A gente não tem nenhuma tabela, nenhuma jogada mais rápida. Tá difícil! Olha ali o Bernard. Ele vai calar sua boca. A gente tá vivo ainda! Bora, Galo! E não é que, com 27 minutos, aconteceu uma confusão no lado direito da área do Juventude e o Galo conseguiu um escanteio?! Só que, como o torcedor mais incrédulo costuma pensar, a cobrança do escanteio não deu em nada. Prá variar...

 

Esse povo vai acabar matando o Bernard! Nenhuma bola vai pro Dudu e todo o mundo só vê o Bernard e manda pra ele. Olha ele de novo! Com 32 minutos do primeiro tempo, Bernard realiza uma jogada típica dos melhores tempos da “alegria nas pernas” e a defesa rebate para escanteio. Mais uma vez, um cruzamento malfeito e que sai, sem perigo, pela linha de fundo. Parece que o Barba não está vendo esse problema na gente! Não tem centroavante matador. Ei, Paulo Bracks, vai tomar no... (não podemos escrever aqui o restante da frase, mas todo o mundo sabe aonde isso vai dar).

 

E se o Galo vem atacando com grande volume, mas sem maiores perigos ao gol do Juventude, o time de Caxias, até então, buscava o contra-ataque e chegava com perigo ao gol de Everson. Aos 34 minutos do primeiro tempo, o jogador do Juventude recebe um cartão amarelo por uma falta feia que cometeu no meio de campo. O Galo cobra a falta, mas perde a bola. O Juventude vai para cima e chuta com perigo no gol do Galo.

 

O jogo vai ficando do jeito que a torcida do Atlético está acostumada: começou o sufoco proporcionado pelo adversário. Isso com o Galo jogando nos seus domínios. Entre os 35 e os 40 minutos, o Juventude atacou, pelo menos, três vezes com grande perigo, obrigando o Everson a defesas no modo “Everson raiz”. Até que chega um momento, já nos acréscimos, em que o time do sul rouba uma bola e dispara para o gol alvinegro. Resultado? Um chute que atingiu o travessão, que deve estar balançando até agora. Seria um golaço. Toma cuidado, Galo!

 

O primeiro tempo vai caminhando para o final, sem dar sinais de que melhoraria para o Atlético no segundo tempo. Para os atleticanos mais pessimistas, a tendência era de que o Juventude voltasse com a corda toda e desse ainda mais trabalho para a defesa do Galo. Isso é o que pensavam muitos dos torcedores ali presentes, porém, Lodi causou susto no gol adversário, mas desperdiçou o ataque em um belo chute que foi para fora.

 

O intervalo da família Silva foi um pouco fora do que seus integrantes masculinos gostariam. Durante os 10 minutos finais do primeiro tempo, eles ficaram muito envolvidos com o jogo e se desconectaram da Carla. Ela, que sempre gostou de uma cervejinha e sempre se empolgava mais do que o desejável com os efeitos do álcool, já havia passado do grau máximo de empolgação etílica e já começava seu show tradicional. Estava do outro lado do setor em que se acomodara inicialmente e já dançava ao ritmo da charanga atleticana. Isso bastou para que Júnior fosse até ela para levá-la de volta aonde estavam. Resultado? Filho!!!! Veio dançar com a mamãe??? Vem cá!! Calma, mãe! Não precisa me agarrar! É só para você ir lá ficar com a gente. Mas aqui está tão divertido... Chama lá seu pai para a gente curtir aqui. Tá muito melhor do que lá onde vocês estão!!! Não, mãe! Vamos com a gente. Você vai acabar se perdendo da gente... Tem problema não. Se eu perder, eu chamo um Uber...

 

E quem falou que ele conseguiu levá-la de volta? Quando Carla está alcoolizada, nem todos os santos conseguem tirá-la de qualquer lugar. Ela se empolga demais e só vai embora quando quer. Pelo menos, ao que se sabe, não faz besteiras. Apenas fica curtindo a música e o movimento. João já se acostumou com isso. Júnior vai precisar de um pouco mais de tempo e de paciência...   

 

E o segundo tempo começa, para a alegria da Carla, que vai poder se agitar sem as impertinências do filho e do marido. Eles que sofram pra lá; eu quero é dançar e cantar. Não estou nem aí para futebol. Quero é me divertir! Amanhã eu penso na ressaca que vou ter. Eu sempre tenho.

 

Tomara que a gente volte melhor pro segundo tempo. O final do primeiro foi difícil demais. Não dá pra confiar nesse time. Os cara parece que não querem jogar. Ficam escolhendo os jogos que vão fazer. Cadê os 4 R? Será que eles não percebem isso? Será que eles não cobram do Barba? Não faz isso, Lyanco! Dentro da área é para jogar sério. Não fica brincando aí, não! Vai tomar banho (claro que não foram esses os termos utilizados na hora da aflição), perna de pau!

 

O segundo tempo parecia estar sendo realizado dentro da casa do Juventude. O Atlético foi dominado pelo time de Caxias, que neutralizava as principais jogadas alvinegras e chegava com grande perigo ao gol do Galo. Aí, o Juventude, empolgado e livre de marcações, vai se soltando na partida. Com pouco tempo de jogo na segunda etapa, aos 8 minutos, a defesa atleticana dá uma de defesa atleticana e vacila, deixando o atacante do sul do Brasil livre para chutar uma bola que obrigou o Everson a se esticar todo para evitar o gol adversário. Claro que João e Júnior quase tiveram um enfarte.

 

Embora o time do Juventude não seja violento, quando precisa matar uma jogada acaba se excedendo. Aos 11 minutos do segundo tempo, ao precisar parar o atacante Cassierra, não dosou a força da jogada e recebeu o terceiro cartão amarelo da partida, todos eles para o time do sul. Não vai expulsar, não, seu juiz? Falta clara pra vermelho direto! Quase me quebra a perna do cara. Ladrão, safado! Os cronistas que tinham os monitores em suas cabines não concordaram com essa visão do João e do Júnior. Acharam que foi lance que nem amarelo merecia.

 

Aleluia! Finalmente, o Barba percebeu a burrada que fez! Esse Dudu está afundando o time há muito tempo! Não era nem para ter entrado! Volta pras Maria, perna de pau! Por que tá tirando o Maycon?! Vai abrir demais o meio. Hoje o Barba está voltando a ser o Barba. Não me faz te vaiar, não, professor! Tomara que eu esteja errado, mas esse trem não vai funcionar. Será que é para o Cuello voltar para marcar? Não estou entendendo o que esse cara tá pensando. Cabeça de treinador é uma terra sem lei. Só ele entende.

 

As alterações do Barba não surtiram efeito imediato para o ataque. Em compensação, deram efeito imediato para a defesa. O meio de campo ficou aberto, com a saída do Maycon. Isso ajudou o Juventude a se sentir ainda mais em casa. A marcação ficou mais frouxa do que deveria. O ataque ainda não teve a oportunidade de verificar se a alteração foi acertada. Tudo isso só fez o Juventude continuar a se sentir em casa. Para o segundo tempo, parece que o Barba pediu que o time mudasse sua postura, atuando em contra-ataque, sem ficar propondo o jogo. Parece que essa mudança de postura não surtiu o efeito desejado. O Galo não conseguia puxar contra-ataques, pois era facilmente vencido pelos defensores do Juventude. A torcida, sentindo o drama, começa a cantar “vai pra cima deles, Galo”. Mesmo assim o time não reagiu como esperado.

 

Parece que a gente tá sentindo o jogo. Os cara estão ficando nervosos. Bernard do Céu! Como é que você me dá uma dessa! Você vai acabar sendo expulso! Tá vendo?! Tomou amarelo de graça. Isso vai pesar para a gente lá na frente. Puxa vida, Bernard! com 20 minutos você me toma um amarelo? Prá que você me segura os cara?

 

E as coisas só iram piorando para o Atlético no segundo tempo. O time do Juventude continuava causando perigo ao gol de Everson. Com 21 minutos, o Atlético comete uma falta perigosa, frontal ao seu gol. O Juventude, porém, ainda não estava com o pé calibrado e chutou para fora. Para alívio da torcida atleticana.

 

Pelo amor de Deus, Barba! Você acertou na saída do Dudu, mas tá errando de novo! Como você me coloca o Igor Gomes pra jogar? Ele tá enterrando o time a um tempão! Esse Preciado???? O cara não tá fazendo nada! Como você me coloca esses dois no meio do segundo tempo? Esse trem não vai funcionar. Para de me fazer sofrer, Galo!

 

E o Juventude nem toma conhecimento das alterações no Atlético. Vai jogando o futebol dele, que, àquela altura, já estava muito superior ao do Galo. Prova disso foi o lance imediatamente posterior à substituição realizada pelo Barba. O atacante alviverde faz bela jogada e obriga a zaga do Galo a tirar uma bola que não só tinha endereço certo, mas também foi até sobre a linha. Essa noite o hospital vai ficar cheio de gente enfartada...

 

E como se não bastassem os problemas de marcação no meio de campo por parte do Atlético, que perdeu muito com a saída do Maycon, o ataque continuava a fazer das suas... Aos 26 minutos, o Galo conseguiu um ataque rápido e quase certeiro, mas a indecisão do atacante alvinegro levou a família Silva ao desespero, exceto a Carla, que estava se divertindo em um dos bares do setor em que estavam. Eu tô é com medo do que vai acontecer lá no sul. A gente não vai aguentar esse time. Se aqui eles estão sufocando a gente, quem dirá lá. Sair fora para um time de série B vai ser chato demais (claro que as palavras, mais uma vez, não foram essas...).

 

E a “lei do ex” parecia que estava sendo preparada. O Juventude, aos 28 minutos, promoveu as entradas de Natan Santos, Luan Martins e de Alan Kardec. Este esteve no Atlético e acabou não fazendo grandes coisas. Será que teremos a “lei do ex” em sua versão espírita? A sorte e a esperança da torcida alvinegra é que ele já tinha deixado de ser aquela Brastemp toda. Ele entrou e não acrescentou grandes coisas.

 

As coisas iam caminhando na base do “seja o que Deus quiser”, mas parece que ele não estava muito interessado em que os times fizessem gols. Talvez seu interesse fosse de fazer as torcidas irem para perto dele, tamanha a quantidade de jogadas de perigo, principalmente por parte do Juventude. Os atleticanos morreriam de susto ou de raiva. Por exemplo, aos 30 minutos, Igor Gomes bateu falta bem perto da grande área do Juventude. Adivinha o que aconteceu... nada.  Talvez Deus estivesse querendo chamar os atleticanos para perto dele, por desespero, afinal, o Galo não ameaçava efetivamente o gol do Juventude há muito tempo. A torcida, obviamente, começava a pensar no jogo em Caxias do Sul. A sina iria se repetir? O Atlético seria eliminado, mais uma vez, por um time de série B?

 

Só que nem tudo eram espinhos para o Galo naquela partida. Cuello resolveu mostrar a que veio e conseguiu uma arrancada pelo lado esquerdo da defesa do Juventude. Isso aos 33 minutos. O resultado foi uma falta perigosa conquistada pelo Galo. Aí, o jogador que a torcida adora... vaiar pegou a bola e foi bater a falta. Resultado? Bola no travessão. Como diz Samuel Rosa, bola na trave não altera o placar. E o tempo ia passando muito rápido.

 

No final das contas, com um ou outro lance de perigo, a partida foi caminhando para seu final. O Atlético saía da Arena MRV com um gosto amargo na boca. Antes do jogo, tinha certeza da goleada. Com o apito final, ficou a preocupação.

 

Enquanto isso, João e Júnior iniciaram sua segunda odisseia da noite: encontrar Carla. Eles ficaram tão envolvidos com o desespero do final do jogo, que acabaram se esquecendo da Carla. Ela não estava nas arquibancadas. A primeira estratégia que João e Júnior adotaram foi a de esperar o setor esvaziar para poderem localizar com mais facilidade. Só que não deu certo. Ela também havia saído. Tentaram ligar para o celular, mas estava desligado. Foram para o estacionamento. Ela deveria estar esperando perto do carro. Mas não. Mais essa... onde será que a Carla está? Será que passou mal e foi para o posto médico? Será que está passando mal no banheiro? Será que criou confusão e está no posto policial? O desespero começou a tomar conta dos dois, afinal, quando Carla bebia demais, ficava imprevisível. Eles decidiram ficar no carro e esperar por ela. Uma hora ou outra ela acabaria voltando para o carro. Meia hora depois, para alívio dos dois, o telefone de João toca: Carla já estava em casa. Pegou um Uber e voltou. Já tinha tomado seu banho, comido alguma coisa e estava no quarto, enrolada no edredom esperando o remédio fazer efeito para conseguir dormir. Ela sabia que o dia seguinte seria de ressaca. Tudo isso porque o sábado à noite é um momento de relaxamento com a família ou com os amigos, isso para famílias normais. Os Silva eram um pouquinho diferentes...

 
 
 

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